Mulheres fazem sucesso em setores dominados pelos homens

Mulheres fazem sucesso em setores dominados pelos homens

Nesta sexta-feira, 19 de novembro, é celebrado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2014 para incentivar mulheres a gerenciarem suas próprias empresas.

No Brasil, o número de mulheres abrindo negócios não para de crescer. Pesquisa da Rede Mulher Empreendedora (RME) mostra que 55% das empresárias brasileiras abriram o negócio nos últimos 3 anos. Destas, 26% abriram o negócio atual durante a pandemia.

Muitas delas, porém, empreendem por necessidade e enfrentam dificuldades, como o acesso ao crédito. Segundo a RME, 43% das participantes da pesquisa que solicitaram empréstimo, tiveram seus pedidos negados.

Em meio às dificuldades, tem muita história para inspirar.

Mecânica é lugar de mulher, sim

Sandra Nalli é fundadora da Escola do Mecânico, empresa que oferece cursos de mecânica e de gestão para oficinas. O negócio, criado em 2011, dobrou de tamanho nos últimos dois anos com rede própria e franquias.

Recentemente, a empresa despertou a atenção do banqueiro e economista bengali, Muhammad Yunus, vencedor do Prêmio Nobel da Paz e criador de um fundo de impacto social no mundo, que aportou R$ 1 milhão na empresa. O negócio de Sandra é um dos poucos fundado por uma mulher a ser selecionado para receber o investimento.

“A empresa existe para democratizar o acesso à educação técnica e profissionalizante na área de mecânica e assim gerar mais emprego e renda", explica Sandra.

Não é por acaso que Sandra empreende em um setor dominado por homens. Ela trabalhou por 19 anos no setor de reparação automotiva, estudou muito, fez carreira em uma empresa do segmento, onde foi menor aprendiz, mecânica, consultora técnica e gerente.

Quando percebeu a dificuldade de encontrar profissionais capacitados na área, teve a ideia de um trabalho social dentro da Fundação Casa de Campinas, no interior de São Paulo. Lá, começou a dar aulas de mecânica para os jovens internos. Logo depois, decidiu alugar uma sala bem pequena e ensinar mais gente.

"Pedi para um amigo grafitar na parede ‘Escola do Mecânico’ e, para minha surpresa, começaram a aparecer pessoas que queriam comprar o curso. Percebi que isso poderia ser um negócio, além de gerar impacto social. Fiz um plano de negócios e abri o meu primeiro CNPJ”, conta.

O preconceito esteve presente durante toda a carreira de Sandra, como funcionária e depois como dona da empresa.

“Muito alunos chegavam e, quando eu ia atendê-los, pediam para falar com um homem. Eu sempre tentava explicar que eu tinha conhecimento prático em mecânica para esclarecer todas as dúvidas”, conta.

Além de ter um bom plano de negócios, Sandra diz que para empreender é preciso deixar o medo de lado.

"A mulher pode ser o que ela quiser, do jeito que ela quiser. Viva intensamente a sua jornada sem deixar a opinião alheia limitar o seu propósito”, aconselha.

Manutenção feita por mulheres

A Mana Manutenção, empresa de serviços residenciais e reformas feitos apenas por mulheres, surgiu depois que sua criadora, Ana Luisa, sofreu assédio ao receber um entregador de gás em casa. Em 2015, ela organizou os conhecimentos que já tinha no assunto e começou a oferecer serviços de manutenção para outras mulheres pelo Facebook.

Quando viu a postagem, Katherine Pavloski adorou a ideia e se tornou sócia. Hoje ela toca a empresa sozinha.

“Sou arquiteta e trabalho na área de obras, um ambiente masculino. Era uma luta diária enfrentar pedreiros, engenheiros, arquitetos. Eu precisava me afirmar como profissional e mulher todos os dias”, conta.

Hoje, 5 mulheres fazem parte da equipe e prestam diversos serviços, como instalações de prateleiras, cortinas e quadros, montagem de móveis, instalações e reparos elétricos e hidráulicos, pintura, instalações e reparos. Elas atendem em São Paulo e em algumas cidades próximas.

“Empreender é desafiador, porque você vê a maioria dos negócios sendo geridos por homens. O mercado não acredita muito que a mulher tem capacidade, por causa de todos os preconceitos embutidos nessa sociedade patriarcal”, diz Katherine.

Sobre o preconceito, para ela, ainda há muito trabalho pela frente.

"As mãos que produzem os produtos e os serviços não têm distinção. Todos estudam da forma que podem e alcançam suas conquistas por serem pessoas. Precisamos de uma força tarefa para mostrar que mulheres, homens e pessoas agênero podem fazer tudo”.

Para a empresária, o segredo é estudar muito e buscar ajuda, principalmente de outras mulheres.

“Conversar com outras mulheres é o maior conselho que uso na minha vida e dou para outras empreendedoras. Nossa rede é imensa e estamos todas enfrentando um mar de tubarões todos os dias, mas uma segura a mão da outra”, diz.

 

Fonte: G1

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